!
5-09-2010 16:31
 
Advertisement
 
 

Santiago2009_043 Passeio2009_26 mae13 Pascoa_2007_07 taize_porto_13_02_2010_(10) taize_porto_15_02_2010_(70)
Menu Principal
Newsletter
Registe-se e receba toda a informação actualizada.



Mensagem de Natal 2009 PDF Imprimir e-mail
Escrito por Presb. José Jorge Pina Cabral   
04-Jan-2010
Do Coração de Deus para o coração do Homem
«Palavra», «Deus», «Luz», «Filho Unigénito», diversos nomes para exprimir  uma mesma realidade que é a pessoa de Jesus Cristo. Diversos nomes, diversos significados para exprimir uma realidade que nos transcende, um mistério imenso a descobrir e a amar. A pessoa de Jesus Cristo e particularmente o seu nascimento e vinda que hoje celebramos, está para além das nossas categorias de espaço, de tempo, de relação. E por isso mesmo é que S. João começa o seu Evangelho de uma forma totalmente diferente dos restantes Evangelistas. Para ele «a história de Jesus não se pode conter dentro dos normais cálculos humanos de tempo ou mesmo de espaço». As palavras de abertura de João levam os leitores para além da sua própria estrutura de tempo e do universo criado; «No princípio existia o Verbo; o Verbo estava em Deus; e o Verbo era Deus». A expressão o Verbo é a tradução latina do termo grego Logos, Palavra. Designa a pessoa divina de Jesus, pois corresponde a uma das formas que então se usava (Memrá em Aramaico) para evitar pronunciar o nome inefável de Deus.

Para S. João este Verbo, esta Palavra que há muito tempo criou o mundo agora entra nele através da carne para originar uma nova Criação. Nas palavras de João ; «o Verbo fez-se homem e veio habitar connosco». Este «fez-se homem» significa literalmente «fez-se carne», ou seja uma Pessoa divina, o Verbo, assumiu realmente a nossa natureza humana (naquilo que ela possui de fragilidade, de fraqueza e de mortalidade) e assumiu também as circunstâncias da nossa vida diária («veio habitar connosco»). Na pessoa de Jesus, Deus e a humanidade encontram-se. No bebé de Belém a encarnação do Verbo, temos a presença pessoal e sensível de Deus entre os homens e as mulheres. «Deus do nosso lado, igual mas especial, feito do mesmo barro mas não manchado de lama». Deus feito homem para nos ajudar a entendermos que somos mistério, que possuímos em nós a centelha do divino.
 
E por isso é que afirmamos que o Natal é dádiva, é dom, é abertura do divino ao humano. Uma vez mais Deus toma a iniciativa e de sua livre vontade oferece-se a cada homem e a cada mulher. Deus Emanuel ou seja Deus connosco. Deus que nos surpreende pelo mistério, beleza, fragilidade da criança nascida na manjedoura. Este dom, esta dádiva temos que reconhecer humildemente que já só cabe no coração, rompeu toda a nossa lógica, deslumbrou-nos para sempre. 
 
E aquilo que é da natureza da graça, do dom, do amor, só pode ser respondido através do coração. E por isso é que é bem verdade o pensamento que nos diz : «O Natal começou no coração de Deus. Só está completo quando alcançar o coração do Homem».
 
Este «abrir do coração» é o que S. João pretende exprimir quando afirma : «aos que nele crêem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus». Aos que crêem no seu Nome, aos que aderem à Sua Pessoa, aos que aderem ao Verbo e à Palavra, Cristo dá-lhes o poder de se tornarem Filhos de Deus.
Por isso neste Natal celebramos também, queridos irmãos, esta nossa condição e filiação de sermos filhos e filhas de Deus e é nessa condição que hoje aqui estamos alegremente reunidos no contexto da Igreja, comunidade dos que crêem no Seu Nome. «Muitos não conseguem acreditar nisto. Muitos não conseguem reconhecê-Lo. Muitos não O querem receber. Ficam-se na verdade das suas pequenas verdades, incapazes de abrir o coração ao Deus connosco». Mas quem vive com o coração aberto, pode recebê-Lo, pode sentir e saborear que Deus nos torna filhos, que Deus nos faz família sua. Incrível, esta é a mensagem de Natal!
 
Estarmos hoje aqui é desde já uma afirmação da nossa vontade de abrir o coração a Deus na pessoa do menino de Belém. Viemos até aqui porque sabemos que aquilo que foi oferecido para todos por todos deve ser celebrado. Natal é acima de tudo a festa da família cristã, uma festa comunitária e eclesial, celebrada por aqueles que se sentem irmanados pelo amor de Deus e que reconhecem Jesus Cristo como sendo verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Não tenhamos vergonha de celebrar e de assumir a nossa fé numa sociedade tão descristianizada. Não tenhamos vergonha de apresentar e de falar aos outros nesta proposta/realidade profunda de amor que constitui o Natal cristão. Ousemos celebrar com alegria, com júbilo e esperança o tempo de Natal e sejamos capazes de tal como os anjos o fizeram, exclamar do fundo do coração : « Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens a quem ele quer bem».

Um Santo Tempo de Natal para todos !
 
Jorge Pina Cabral
Pároco de S. João Evangelista
 
 
 
 
 
 
< Artigo anterior   Artigo seguinte >

 


Top!